Assassinato de A. Matavele: A ordem era de atirar para o incapacitar e não pra matar

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“Disparar para as pernas da vítima, para impedi-lo de andar” – foi a orientação dada pelos mandantes (ainda não identificados) ao grupo dos cinco atiradores de elite do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia da República de Moçambique (PRM), que assassinou, a 07 de Outubro de 2019, o activista social Anastácio Matavele.

A revelação consta da acusação provisória deduzida pelo Ministério Público (MP) e submetida à 4ª Secção do Tribunal Judicial da Província de Gaza. De acordo com o jornal SAVANA, que teve acesso ao documento, os mandantes do crime orientaram a Tudelo Guirrugo, Comandante do GOE, em Gaza, para que instruísse os assassinos a atirarem apenas para impedir Anastácio Matavele de andar, porém, a orientação não foi cumprida pela quadrilha.

Lembre-se que esta foi também a orientação dada ao grupo que sequestrou e baleou o académico José Jaime Macuane, em Maio de 2016, no distrito de Marracuene, província de Maputo.

Segundo o SAVANA, citando a acusação, desde 19 de Setembro que Euclídio Mapulasse, Edson Silica, Nóbrega Chaúque e Martins Wiliamo tinham orientações de Agapito Matavele (Comandante do pelotão do grupo) para não fazerem turnos porque “tinham uma missão”. A partir desse dia, sublinha aquele semanário, Euclídio Mapulasse e Edson Silica deviam “seguir os passos” de Anastácio Matavele, enquanto aguardavam pela viatura que seria usada para o crime: Toyota Mark X, com matrícula ADE 127 MC, pertencente ao Edil de Chibuto, Henriques Machava.

Aliás, segundo o SAVANA, os cinco integrantes do grupo foram seleccionados por Tudelo Guirrugo, sob orientação de Alfredo Macuácua, Comandante da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), em Gaza.

Para garantir o sucesso da operação, escreve o SAVANA, foram organizados diversos encontros preparatórios, sendo que um deles foi realizado dois dias antes da consumação do crime, no Bar Xirico, bem próximo ao cruzamento da Praia de Xai-Xai (contou com a presença de Tudelo Guirrugo). O mesmo, segundo a fonte, visava delinear estratégias para executar o também focal point da Sala da Paz naquela província do sul do país, depois de ter falhado o seu rapto a 23 de Setembro – foi confundido com o agente Carlos Ubisse, da Polícia de Trânsito, que acabaria sendo assassinado.

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De acordo com aquela publicação, o grupo tinha a informação de que o alvo viajaria para a capital do país, no dia 07 de Outubro, por isso deslocou-se (na madrugada daquele dia) ao Motel Concha, localizado na zona alta da capital provincial de Gaza, junto à Estrada Nacional Nº 1 para montar a emboscada.

Porém, conforme alega o MP, segundo o SAVANA, o tempo passou e Anastácio Matavele nunca mais passava por aquele local, o que levou o grupo a accionar o “plano B”, que foi de seguir em direcção à Praia de Xai-Xai, de modo a executar a missão ainda naquele dia e reduzir a pressão que vinha dos “superiores hierárquicos”.

Para sua sorte, sublinha o SAVANA, o grupo viu a viatura do finado estacionada junto à estrada, enquanto discursava na cerimónia de abertura de uma formação de observadores eleitorais que iam acompanhar as eleições do passado dia 15 de Outubro, a nível daquela província.

Segundo o SAVANA, depois do grupo seguir o seu alvo, este colocou-se lado-a-lado com a viatura de Matavale, na zona da Mocita – empresa de processamento de castanha de caju – tendo disparado cerca de 10 tiros contra a vítima. De seguida, o grupo seguiu à alta velocidade em direcção a Chongoene, onde se localiza o seu quartel, porém, Nóbrega Chaúque e Martins Wiliamo morreriam também de forma violenta, após embate, despiste e capotamento da viatura, em que seguiam.

O acidente aconteceu a menos de 1 Km do local onde cometeram o crime. Edson Silica ficou ferido e foi capturado no local. Euclídio Mapulasse fugiu, mas também acabaria sendo detido, enquanto Agapito Matavele continua foragido da justiça. Três, das seis armas de fogo usadas para o assassinato de Anastácio Matavele, foram devolvidas ao armazém da UIR. As seis armas foram retiradas daquele armazém entre os dias 19 e 25 de Setembro de 2019.

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Refira-se que são seis os elementos da PRM e dois “civis” que são acusados de estar envolvidos no assassinato de Anastácio Matavele, nomeadamente, Edson Cassiano de Lacerda Silica (motorista do grupo), Euclídio Eugénio Mapulasse (um dos atiradores), Tudelo Macauze Guirrugo (Comandante do GOE e um dos cabecilhas da operação), Alfredo Naifane Macuácua (Comandante da UIR e um dos cabecilhas), Justino Muchanga (responsável pelo armazém), Januário Rungo (Chefe do Estado Maior e um dos que devolveu as armas), Henriques Machava (Edil de Chibuto e legalmente proprietário da viatura) e Ricardo Manganhe (amigo de Machava e “novo proprietário” da viatura).

 

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